quarta-feira, 28 de abril de 2010

Vozes

Foi graças à actual colega de gabinete que percebi algo que mudou realmente a minha vida.
A pobre da rapariga balda-se ao trabalho como gente grande, mas não é isso que me incomoda. Posso achar bem ou não, mas isto não é meu e já há muito que me deixei de tomar as dores dos outros. Também não são os sapatos de vela que insiste em usar com calças demasiado curtas, nem as argolas de ouro à peixeira de Vila do Conde, nem o aspecto de quem tirou a roupa do armário completamente às escuras e se vestiu e saiu de casa sem passar perto de um espelho. Posso achar que há mínimos a cumprir no que implica com a poluição visual, mas não passo disto. Nem sequer são os constantes "desligastes", "dissestes", "comestes" ou "viestes", que isso da gramática ou se aprende em pequenino ou não há nada a fazer. É mesmo o tom de voz.
Graças a ela, dei-me conta do quanto as vozes têm influência no meu relacionamento com as pessoas. Do quanto me fazem aproximar ou evitar. Da importância que dou ao timbre de voz e ao uso da mesma. Gosto de vozes graves, roucas até. Gosto de gente que fala baixo, pausadamente, que diz as letras todas das palavras, que só berra quando um berro resolve mesmo. Gosto de vozes de final de tarde.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Se desejar mudasse alguma coisa, já há muito tempo que tinha conseguido sossegar as palavras e não as verbalizar antes do tempo. Já tinha conseguido contar até 100 antes de emitir a minha opinião e não me arrependeria tantas vezes não do conteúdo, mas da forma. Tinha-me, por certo, magoado menos vezes e magoado os outros só quando fosse essa a intenção. Já tinha uma conta bancária bem mais composta e bastante menos futilidades espalhadas pelas gavetas. Perdia bem menos tempo preocupada com o futuro e vivia um pouco mais o dia a dia. Conseguiria dizer mais vezes "não", sorrir mais vezes e chorar outra tantas. Concentrar-me-ia mais em mim e na minha vida do que nos que me rodeiam e a quem quero bem. Tinha parado já de me desdobrar em mais do que aquilo que me é pedido. Já tinha atirado certas coisas para trás das costas e seguido em frente. Não tinha fantasmas, nem medos que atraem outros e que não me dão descanso. Estava, de certeza, noutro país. Nesse das maravilhas. Já só havia sol e temperatura amena e tardes a ler na esplanada à beira-mar. Não me ía apetecer chocolate nunca e teria trocado o pão quente pela alface e não teria pesos na consciência. Se desejar mudasse alguma coisa, já muita coisa teria mudado.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

segunda-feira, 5 de abril de 2010

"Não faças demasiados planos para a vida, pois podes estragar os planos que a vida tem para ti" Agostinho Silva

terça-feira, 23 de março de 2010



Continua a ser a minha autora portuguesa preferida...

sexta-feira, 12 de março de 2010

Não sou do tempo do bullying e chocam-me notícias como esta. Também fiz grandes asneiras, fui para a rua com faltas disciplinares na idade da parvoeira e senti-me a maior por isso. Faltava para ir para o café e dar umas voltas nas motas que eu também gostava de ter e senti-me crescida por fumar às escondidas. Parvoíces de uma idade em que não se é criança nem adulto. Só se é parvo. Mas sempre estudei e tirei óptimas notas e encarei a escola como aquilo para que ela serve: aprender e fazer amigos.
Dou por assente que nem toda a gente tem estrutura psíquica para ser professor.
Mas dou por mais assente ainda que nem toda a gente tem estrutura para ser pai e mãe. Ser pai e mãe é um assunto bem sério (acho eu). Não é só porque se é novo e inconsciente e apetece ter uma experiência nova na vida, seja para se ser reconhecido socialmente, seja para segurar um relacionamento, seja pelos mais dignos motivos, que se decide pôr no mundo um ser, dar-lhe muitos beijos e abraços e protegê-lo do mundo, fazê-lo sentir-se um intocável, que a missão está completa. Essa é a parte fácil da coisa. Essa parte em que os filhos são vestidos, alimentados, passeados e mimados ao bel-prazer dos pais. O difícil vem depois. Vem quando os filhos se tornam efectivamente pessoas, com vontades, direitos, liberdades e autonomias. Aí é que se torna difícil educá-los e deixá-los ser eles. É quando é preciso dizer não, ir contra, impôr regras, fazer crer que há mais mundo para além deles. É aí que começa a noção de que se está perante um ser humano que terá de viver em sociedade, com tudo o que isso implica.
E ser pai e mãe é mesmo isso. Não é o fechá-los num colégio privado com o bom do mundo, trazê-los para casa e entupi-los de Macdonalds só porque eles gostam. Não é deixá-los jogar jogos violentos tardes inteiras em frente a écrans de televisão nem deixá-los com um computador dias a fio para que deixem também estar. É levá-los a conhecer a realidade, a conhecer as diferenças e a respeitá-las, a saber o que querem da vida, e, sobretudo, a fazerem pela vida. A perceberem que a vida não se resolve com birras e que muitas vezes lhes vai faltar o colo e vão ter de se virar. É ensinar o bem e o mal. Ensinar, sobretudo, que há mais gente no mundo, a quem se deve respeito. E, sobretudo, dar a percepção de que, por serem filhos, não fazem tudo bem, não são os melhores, não são desculpados por tudo.
Essa coisa cega a que ouço os pais chamar "amor pelos filhos" e que me dizem que só irei entender, um dia, é a grande culpada de muitas coisas. Amor sim e muito. Mas a ver bem. Amor com responsabilidade.

terça-feira, 9 de março de 2010

Finalmente algo que vale mesmo a pena: http://www.optimusalive.com/#/.

Com The XX, La Roux e Gossip, só falta mesmo Julho e o bom tempo. Lá estarei.