quarta-feira, 29 de julho de 2009

Open space

Para que não haja dúvidas nos próximos 90 anos de trabalho que ainda tenho pela frente (porque isto da idade da reforma, diz o Estado, é como a morte: vai-se adiando e quanto mais tarde melhor!), deixo aqui gravado: odeio, abomino trabalhar em Open Space.
Odeio que me forcem a fazer parte do que quer que seja e que me obriguem a socializar com quem não me identifico. Não gosto que se saiba quantas chiclets mastigo por dia, quantos cafés tomo, quantas vezes vou à net, quantos telefonemas faço e a quem faço e o que digo. Detesto ter de levar com as conversas dos outros a toda a hora, ter as mesmas caras mesmo à frente 10 horas por dia. Não suporto o barulho que se gera num espaço desse tipo, nem do esforço triplamente necessário de concentração.
Gosto muito da minha privacidade e não sou nem simpática quando não me apetece e para quem não me apetece, nem tolerante com a burrice alheia. Não me interessa a vida dos outros e detesto que se interessem pela minha. Salvo raríssimas excepções não faço amigos nos colegas de trabalho.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Desenganem-se os agoirentos que não apanhei a (famosa) Gripe A, não emigrei para nenhum país longínquo (ainda), nem me desiludi com a internet nem com os blogs. Nada disso. O tempo, que já não era muito ficou ainda mais reduzido e o acesso à internet ainda mais limitado. Vai daí, as visitas aos blogs que adoro são escassas e os comentários também. Dos posts no meu nem escrevo que o meu blog fala por si.
Mudei de emprego e as mudanças, como toda a gente sabe, têm este período de adaptação em que tudo parece mais complicado e mais exigente, têm pessoas novas para conhecer, têm uma adrenalina de que eu gosto e preciso. Gosto de mudanças, de superar dificuldades e, essencialmente, de desafios. Sinto-me mais viva agora do que há uns meses atrás e isso é bom. Isso só é bom.
Não sobra é muito para a interacção bloguística, mas lá chegarei.
Como alguém me escreveu, um dia, em sms:" always look at the bright side os life".

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Gosto da sensação de ouvir uma música pela primeira vez e de a rádio não permitir recorrer ao repeat, de a reter na memória e de ter de esperar que saia o cd para a poder ouvir vezes sem conta. Gosto da necessidade de a ter e do objectivo de a saber de cor. Gosto de a pôr a tocar e de ter a certeza que é uma grande música, que fará parte da banda sonora da minha vida. Gosto de a ouvir vezes sem conta, de me arrepiar sempre que me concentro nela, de saber a letra, de descobrir pormenores sonoros que escapam quando se ouve o conjunto. Gosto de me envolver nela e de me deixar levar. Gosto de a cantar e de pensar para mim mesma que a estou a estragar com a péssima voz que Deus me deu.
De vez em quando, lá sai uma que me permite tudo isto. Por agora chama-se "Sleepless heart" e é do Rodrigo Leão, do recém editado "A Mãe".

quarta-feira, 24 de junho de 2009

"Os opostos atraem-se, mas não se unem."
Ter um blog é fácil. Mantê-lo é que é complicado. Como qualquer coisa (pessoa?) para crescer saudável e interessante, precisa de ser alimentado e isso pressupõe tempo, dedicação, investimento e, obviamente, o desvendar de uma quantidade de coisas.
Há dias em que sim, me apetece escrever sobre mim, me apetece desabafar, abrir a alma e descarregar por palavras o que lá vai. Mas mesmo nesses dias, raramente me apetece que me leiam, raramente me apetece que fiquema saber sobre mim tanto quanto eu, que criem uma imagem e que achem que me conhecem de algum lado. Por isso não publico, guardo para mais tarde... apagar.
Noutros dias, apetece-me imaginar personagens, escrever como se fossem elas, dar largas à criatividade. Normalmente publico e rezo a todos os santos para não me comentarem a dar conselhos ou palpites, querendo ver mensagens nas entrelinhas e procurar a autora do blog dentro do personagem.
Noutras vezes, apetece-me desancar livros de merda, como o celebérrimo "Comer, Orar e Amar", de que toda a gente gosta menos eu, (bem, de que grande parte das mulheres divorciadas gosta, melhor dito) divagar sobre os concertos a que fui (ou irei) ou sobre os filmes que vejo no cinema e em DVD todos os fins de semana e que me despertam as emoções, postar uma das músicas da minha vida, descrever os lugares fantásticos por onde tenho passado e escrever sobre as cidades que me ficam na memória do coração. Mas cada vez menos o faço, sem qualquer outra razão que não seja a falta de tempo.
Consequentemente, limito-me a achar que tenho um blog.E que muito pouco faço para o manter.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Sentados na esplanada, enquanto tiravas um dos cubos de gelo da coca-cola com limão que tinhas pedido e o tricavas ruidosamente (esse hábito tão arrepiante e tão teu), não consegui deixar de pensar na força que o acaso tem. Se me tivessem dito há umas horas que ía encontrar uma das grandes paixões da minha vida em pleno Chiado a meio da tarde, tinha-me rido com a ignorância de quem só acredita nas coisas mais terrenas.
Eis-me aqui, à tua frente, nesta busca tão frenética de sinais familiares de quem sabe que tem o tempo contra si, que não me deixa ouvir tudo aquilo que dizes nem responder às perguntas que, com a curiosidade toldada pelo medo das respostas, me vais fazendo.
Começaste pelo mais fácil, elogiando o meu fato de saia e casaco enquanto olhas disfarçadamente para as minhas pernas e aproveitas para recordar o meu fascínio por sapatos de saltos vertiginosos. E eu constato que não mudaste, que sempre foste assim. São os elogios, os olhares ansiosos disfarçados com recordações. Sabes que as mulheres não resistem a elogios misturados com memórias. Sabes que as mulheres gostam que lhes gabem o gosto.
Seguiste para o profissional, aproveitando para me perguntares se continuo a viver no mesmo sítio, porque bem sabes que num T0 não cabe mais ninguém. Perguntas-me pelo meu gato que não simpatizava contigo. Mais uma vez apelas às recordações para me convenceres de que fui importante para ti. Falas, aliás, como se nenhum tempo nos tivesse separado e ainda soubesses onde guardo a lingerie e que preciso sempre de um banho bem quente antes de dormir.
E eu ouço-te e vou-te respondendo. E vou pensando para mim que nós continuamos sempre os mesmos. A nossa vida é que não.
Vai, pois, começar a contagem! :)