quarta-feira, 29 de abril de 2009

Têm tendência para olhar para minha vida e darem palpites, manifestarem opiniões e fazerem sugestões. E eu, que ouço só até perceber onde querem chegar, quando chego à fase de desligar o som e ficar ali à espera que o assunto acabe de uma vez, só me pergunto por que raio é que acham que me conseguem convencer que os desejos deles são os meus. Quem é que lhes terá dito que a minha vida seria muito melhor se concretizasse os desejos deles em mim? Por que motivo escondido podem achar saber o que lhes faz falta também me faz a mim? Como é que podem insinuar que o que querem é o que eu também quero?
Preferia mil vezes que me dissessem que se fizesse assim ou assado ELES seriam mais felizes. Eu logo veria o que poderia fazer, se poderia ajudar ou não, se lhes poderia valer. Agora fazerem-me crer que sou a tolinha que não sabe avaliar o que é melhor para si mesma ou que não sabe escolher o caminho, isso é que não.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Se eu pudesse, avançava os ponteiros do relógio mais umas horas e fazia os dias do calendário avançar mais um bocadinho. Matava esta ansiedade, sabendo o que o futuro mais próximo me reserva.
Não queria saber tudo; isso não, que fazia a vida perder metade da piada. Saber que nunca mais iria sorrir ao olhar para trás e pensar na relatividade das coisas, faz-me logo desistir da ideia. Não quero saber do futuro em grande escala Não quero saber se vou morrer aos 50 ou aos 80, se vou ter filhos ou não, onde estarei a trabalhar daqui a uns anos. Não me interessa saber o que o futuro me reserva, porque gosto de surpresas, porque gosto muito de surpresas, e porque, bem vistas as coisas, tenho tido uma boa vida. (E tenho feito por isso.) E também não me interessava muito regressar ao passado para o mudar. Talvez seja porque não me preocupa o que já lá vai e talvez seja porque a memória, a minha memória, guarda bem mais as coisas boas. (Felizmente!)
Preocupa-me o presente sim, o viver em ansiedade, o não me sentir bem neste momento e saber que tudo se deve a ter de esperar. Detesto esperar seja pelo que fôr. Detesto não ter o controlo das minhas coisas, estar dependente dos outros ou de alguma coisa.

quinta-feira, 23 de abril de 2009



Não foi o facto de ter sido descoberta uma pessoa que é feia e canta soberbamente que pôs esta senhora nas luzes da ribalta. Desenganem-se. O que fez despultar a controvérsia foi o preconceito que todos nós nos demos conta de ter, quer o assumamos quer não.

Uma imagem vende muito, é certo. A nossa aparência dá, inevitavelmente, uma ideia de nós. Não é à toa que nos vestimos de uma determinada forma para trabalhar, de outra para sair à noite e de outra para ir de fim-de-semana. Nessa escolha tão vulgar, e tantas vezes mecânica, ainda que inconscientemente, pretendemos transmitir uma determinada imagem a nosso respeito, queremos ser vistos pelos outros de uma determinada maneira. Isto não tem nada a ver com o facto de se ser bonito ou feio. Há pessoas bonitas que cuidam muito pouco da aparência e há pessoas bem feias que cuidam tanto da aparência que quase disfarçam que são feias. Com a subjectividade inerente, poderia, aqui, dar imensos exemplos e pôr imensas fotografias, mas não estou pra isso.

Aparecer alguém que, objectivamente, é feia, faz-nos logo pré-conceber uma ideia sobre a pessoa, soltar lá bem no íntimo "coitada" ou o famoso "que é isto?!" e, como se costuma dizer, não dar nada por ela. E falo da primeira impressão, não de um reconhecimento intelectual que levou anos a construir a que, depois, se juntou uma imagem. Quando a pessoa demonstra ter capacidades que em nada se comparam com o físico, como foi o caso da Susan Boyle, é que são elas. Há que engolir o sapo, reconhecer o preconceito e render-se perante as evidências. Depois, há que melhorar-lhe a aparência... Então no mundo do espectáculo, não haja dúvidas. Dou uns meses para a mulher aparecer remodelada.

Pior que isto é, sem dúvida, quanto a mim, a aceitação resignada da bela estúpida a que nos habituámos. Rendemo-nos perante a beleza de alguém que mal consegue articular duas ideias, que não atinge aquilo que se lhe diz e que auto-denomina esquecida ou distraída, como se fossem sinónimos de burrice. Aceitamos mais facilmente alguém que seja gira e burra, e conseguimos conviver com esse alguém perfeitamente. Dá-se-lhe o desconto em nome do belo e ignora-se o resto. E isto porquê? Porque, de facto, quer se goste muito, quer pouco, toda a gente gosta de olhar para coisas bonitas, de estar acompanhado de pessoas bonitas.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

terça-feira, 21 de abril de 2009

Ainda gostava de saber se esta mania dos almoços (e jantares) é só portuguesa ou se o resto do mundo faz igual. Por terras lusas, parece que ninguém sabe tratar de nada se não tiver uma almoço pelo meio. Toda a gente convida toda a gente para almoçar quando quer mais alguma coisa do que isso. Sejam conversas profissionais, sejam de tipo mais íntimo, lá está o almoço. E eu, que almoço porque tem de ser, não entendo esta mania de discutir coisas às refeições, quando toda a gente sabe (ou deveria saber) que não se fala com a boca cheia.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Caloteiros há para todos os gostos. Depois de alguns (demasiados) anos a aturá-los, já me começa a faltar a paciência para a conversa da treta de quem estoirou o que tinha e o que não tinha e entalou os outros e ainda acha que a sorte é que não está a seu favor porque as coisas até corriam bem. Pois corriam. Enquanto é pedir e gastar, é óbvio que correm bem. A sorte só muda quando a torneira seca e há que pagar. Ou que ir pagando. Aí é que são elas. E lá vêm as lamúrias, as queixas, os choros, os ai Jesus, as promessas, o enrolar de mentiras umas nas outras.
Não sou contra o crédito, antes pelo contrário. Aceito que o crédito, quando usado com bom senso, como, aliás, tudo na vida, é uma grande mais valia que nos permite concretizar sonhos que, de outra forma, seriam completamente negados mal surgissem no pensamento. É a forma que temos de ir ao outro lado do mundo, de ter uma casa ou um carro, de comprar aqueles sapatos que vimos e a que não resitimos, de dar aquele presente, etc, etc. Numa sociedade em constante evolução, em que tudo está tão à mão de semear, em que os apelos da publicidade são mais do que muitos, em que proliferam shoppings como cogumelos, é impossível querer viver negando essa realidade qual carmelitas descalças a quem basta o essencial ou viver segundo os parâmetros dos nossos bisavós que juntavam para poderem ter. É claro que a nós, geração coca-cola, não nos basta ter o necessário para o dia a dia e com os ordenados que por aí andam nunca mais conseguíamos ir a Nova York se estivessemos à espera de juntar dinheiro.
Mas daí até perder o norte e confundirmos o que somos com o que temos vai uma distância bem grande. Quer se goste, quer não, o que se ganha não dá para férias do outro lado do mundo a toda a hora, roupa, sapatos e cabeleireiros todas as semanas, grandes carros e casas ainda maiores, para o último iphone. Há que ter consciência do que se ganha e do que se pode ter, compreender que para se terem umas coisas não se podem ter outras e optar por aquilo que realmente nos faz felizes, estabelecendo prioridades. Salvaguardar o essencial, darmo-nos a um luxo ou outro de vez em quando e não perder a noção do valor das coisas. E não esquecer que não passam de coisas.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Houve tempos em que joguei tanto Tetris que mal podia esperar para jogar de novo e cheguei mesmo ao ponto de sonhar com as peças. Numas férias, cheguei a fazer tantas palavras-cruzadas que só via quadrados à minha frente. Vi a série integral de "O sexo e a cidade" apenas com os intervalos necessários ao trabalho e às necessidades essenciais de higiéne e alimentação. Agora, e porque a idade não muda gente viciável como eu, cá ando a ler sofregamente a obra póstuma de um dos mais geniais escritores de todo o sempre. Senhoras e senhores: Stieg Larsson!