quarta-feira, 22 de abril de 2009

terça-feira, 21 de abril de 2009

Ainda gostava de saber se esta mania dos almoços (e jantares) é só portuguesa ou se o resto do mundo faz igual. Por terras lusas, parece que ninguém sabe tratar de nada se não tiver uma almoço pelo meio. Toda a gente convida toda a gente para almoçar quando quer mais alguma coisa do que isso. Sejam conversas profissionais, sejam de tipo mais íntimo, lá está o almoço. E eu, que almoço porque tem de ser, não entendo esta mania de discutir coisas às refeições, quando toda a gente sabe (ou deveria saber) que não se fala com a boca cheia.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Caloteiros há para todos os gostos. Depois de alguns (demasiados) anos a aturá-los, já me começa a faltar a paciência para a conversa da treta de quem estoirou o que tinha e o que não tinha e entalou os outros e ainda acha que a sorte é que não está a seu favor porque as coisas até corriam bem. Pois corriam. Enquanto é pedir e gastar, é óbvio que correm bem. A sorte só muda quando a torneira seca e há que pagar. Ou que ir pagando. Aí é que são elas. E lá vêm as lamúrias, as queixas, os choros, os ai Jesus, as promessas, o enrolar de mentiras umas nas outras.
Não sou contra o crédito, antes pelo contrário. Aceito que o crédito, quando usado com bom senso, como, aliás, tudo na vida, é uma grande mais valia que nos permite concretizar sonhos que, de outra forma, seriam completamente negados mal surgissem no pensamento. É a forma que temos de ir ao outro lado do mundo, de ter uma casa ou um carro, de comprar aqueles sapatos que vimos e a que não resitimos, de dar aquele presente, etc, etc. Numa sociedade em constante evolução, em que tudo está tão à mão de semear, em que os apelos da publicidade são mais do que muitos, em que proliferam shoppings como cogumelos, é impossível querer viver negando essa realidade qual carmelitas descalças a quem basta o essencial ou viver segundo os parâmetros dos nossos bisavós que juntavam para poderem ter. É claro que a nós, geração coca-cola, não nos basta ter o necessário para o dia a dia e com os ordenados que por aí andam nunca mais conseguíamos ir a Nova York se estivessemos à espera de juntar dinheiro.
Mas daí até perder o norte e confundirmos o que somos com o que temos vai uma distância bem grande. Quer se goste, quer não, o que se ganha não dá para férias do outro lado do mundo a toda a hora, roupa, sapatos e cabeleireiros todas as semanas, grandes carros e casas ainda maiores, para o último iphone. Há que ter consciência do que se ganha e do que se pode ter, compreender que para se terem umas coisas não se podem ter outras e optar por aquilo que realmente nos faz felizes, estabelecendo prioridades. Salvaguardar o essencial, darmo-nos a um luxo ou outro de vez em quando e não perder a noção do valor das coisas. E não esquecer que não passam de coisas.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Houve tempos em que joguei tanto Tetris que mal podia esperar para jogar de novo e cheguei mesmo ao ponto de sonhar com as peças. Numas férias, cheguei a fazer tantas palavras-cruzadas que só via quadrados à minha frente. Vi a série integral de "O sexo e a cidade" apenas com os intervalos necessários ao trabalho e às necessidades essenciais de higiéne e alimentação. Agora, e porque a idade não muda gente viciável como eu, cá ando a ler sofregamente a obra póstuma de um dos mais geniais escritores de todo o sempre. Senhoras e senhores: Stieg Larsson!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Não gosto. Detesto a expressão "como se não houvesse amanhã". Explicação? Não tenho. Soa-me mal como tudo e tenho-a lido vezes a mais. Deve ser por isso.


Juro pela minha saudinha que até tentei. Aliás, estou desde as 8h30m da manhã a tentar, mas como ainda não consegui, parece que estou condenada a não fazer as contra-alegações hoje. Já escrevi algumas linhas, mas a falta de convicção impera e nota-se. Se desse entrada do que escrevi hoje ía ter vergonha na certa quando recebesse o Acórdão. Por isso, mais vale aproveitar as férias judiciais e esperar por melhores dias, isto é, por dias mais produtivos, que este até não tem sido nada mau. Já deu para falar no messenger mais do que numa semana inteira, para actualizar a leitura dos blogs, fazer pesquisas para as férias, pagar contas e fazer marcações daquilo que é mesmo essencial à sobrevivência, como seja ir ao cabeleireiro ou à manicure. Sobretudo, já deu para decidir que o final do dia vai ser passado de molho, com cigarros e martini, a Elle e a Máxima por companhia. Só falta mesmo é que o tempo passe e possa ir fazer algo produtivo.
Imaginemos: eu vou ao médico, queixo-me disto ou daquilo e saio de lá com uma receita de um medicamento que irá curar o meu mal. Na ânsia de me curar rapidamente, corro à farmácia mais próxima e o farmacêutico diz-me que há um medicamento mais barato do que aquele que fará a mesma coisa e pergunta-me se não prefiro levar o mais barato. Fico em dúvida, com a consciência balançada entre o meter algum ao bolso e o barato sai caro.
Parece que tem sido isto que anda por aí a acontecer e que consegiu pôr em segundo plano, pelo menos por um dia o caso Freeport. (Valha-nos isso!)
Eu que não percebo nada dessas coisas, mas que ando aqui como os outros e até páro para pensar um bocadinho, questiono-me. Até percebo que os médicos não prescrevam os genéricos porque, com os ordenados fabulosos que têm, estão-se bem nas tintas para mais uns euros que o paciente possa gastar porque o importante é alimentar os laboratórios que lhes dão uma viagem à pala com mulher incluída, um DVD portátil ou uma esferográfica (ok, ok, também há os que acreditam no potencial do medicamento). Percebo também que o Governo, preocupado em zelar com a saúde financeira dos contribuintes, e da sua, pois claro, tenha todo o interesse em potenciar o consumo de genéricos e que ainda não tenha tido tempo para pensar num meio eficiente de o fazer. O que não percebo mesmo, é a preocupação, à partida com nenhum outro interesse que não seja baixar os custos das famílias com os medicamentos, da Associação Nacional de Farmácias. Mas lá chegarei.
Nas "histórias de amor", o começo, mais ou menos ardente, é sempre bonito. O final, quando não é o clássico "e foram felizes para sempre", pode ser uma grande chatice. Conheço os dois lados dessa chatice. O lado de quem levou com os pés e não engole e o lado de quem deu com os pés para se ver livre e não consegue.
Quem levou com os pés e não engole tem-se em tal conta que não consegue compreender o facto de o mundo, afinal, ter alguém que não lhe achou assim tanta piada. Vê o outro como um inimigo a abater, desdanha, inventa trinta por uma linha para lhe atingir o ego, faz-lhe a vida negra por todas as maneiras que tem ao seu alcance, tenta denegrir a imagem. Enquanto anda nisto, deixa de ter vida. Acredito mais que seja uma questão de ego do que propriamente uma obsessão com o outro. A menos que estejamos a falar de doentes mentais, (e nem toda a gente egocêntica é doente mental) não me parece francamente que seja mais do que uma questão de ego. As perguntas "como é que ele me pôde fazer isto?", "quem é que ele julga que é?" aliadas a uma imaginação maldosamente perversa, dão lugar a perseguições, riscos no carro, cartas e telefonemas anónimos, difamação, etc, etc. A pessoa está tão habituada a controlar as situações (ou a julgar que controla) e que o mundo que a rodeia a acha a melhor do mundo que gere mal as contrariedades, não sabe lidar com a rejeição e acha que vale tudo para se vingar do mal que o outro lhe fez. Não consegue discernir que o outro não lhe fez mal nenhum, que, enquanto pessoa, é dotado de livre arbítrio e que não está preso a ela só porque ela quer. Mostrou-lhe que há um mundo que lhe agrada mais e que não a inclui e que está no seu direito. Mostrou-lhe, enfim, que o mundo não gira em trono dela, satisfazendo os seus caprichos só porque sim, só porque ela está habituada a isso.
O lado de quem deu com os pés para se ver livre e não vê é bem mais complicado, acho eu. Querer seguir com a vida prá frente, enterrar definitivamente aqueles que não farão mais parte não significa forçosamente não lhe ter dado a devida importância nem considerá-los como um erro. Nem todos os que fazem parte de um passado são erros só porque não serão futuro. Por mais que façam para se mostrarem presentes, se fôr a bem, não conseguem provocar outro sentimento que não seja compaixão; se fôr a mal, tornam-se um parasita de quem a pessoa se tem de conseguir libertar dê lá por onde der, e conseguem apagar o que de bom um passado teve.
Como em tudo na vida, as posições extremas não são boas para ninguém. Nem para quem é causa nem para quem é consequência. Melhor, melhor, será mesmo, aguentar a dor, dar tempo ao tempo, concentrar-se na sua própria vida, esquecer e deixar esquecer.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

www.abreafelicidade.com

Há coisas mesmo, mas mesmo, muito bonitas!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Primeiro é preciso arranjar sobre o que escrever. É preciso ter assunto ou, pelo menos, fingir que se tem. Seja o sexo dos anjos, o feminino versus masculino, o tempo, a última colecção da Prada, o amor ou o desamor, os carros, as viagens, o trabalho ou a falta dele, as aventuras dos filhos. Vale tudo, desde que dê para tecer considerações, comentários, ilusões, desabafos ou o que quer que seja.
Depois, é preciso dar-lhe forma. É preciso perceber por que é que se quer escrever sobre determinado assunto, o que é que se quer transmitir com a escrita e o que se sente em relação a ele. É precisa muita inspiração e muita dedicação. É preciso muita paciência, muita análise, muita argumentação e contra-argumentação, muita imaginação para tocar onde ninguém tocou (ou, pelo menos ter essa ambição) e muita criatividade. É preciso originalidade. Sentido de humor, mais ou menos acentuado, é imprescindível.
Quando o cursor começa a piscar, é necessário construir bem as frases, utilizar os tempos verbais acertados, não dar erros ortográficos, e, no caso de utilizar outra língua, certificar-se mesmo que não há erros de tipo nenhum. Têm de pôr-se as vírgulas no sítio certo e os pontos e os parágrafos.
Depois, é preciso, ler, reler, tornar a ler. Ficar satisfeito com o resultado e clicar no "publicar mensagem".
É preciso muito para escrever. Por isso, é que, por aqui, não tem havido muitos posts.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Quando somos pequenos, é com frequência, e com alguma esperança de sermos engraçadinhos e de conseguir provocar algum colorido no mundo acinzentado dos adultos, que nos bombardeiam com a famosoa pergunta "O que queres ser quando fores grande?'". Vamo-nos tornando (ou tentando) grandes e vamos sendo, a maior parte das vezes, alguém bem distante daquele(a) em que achávamos que nos íamos tornar. Tornamo-nos alguém e essa pergunta deveria deixar de existir ou deveria deixar de fazer sentido. Só que a vida é feita de futuro, de quereres e de vontades e de circunstâncias, de caminhos cruzados e de opções constantes que traçam o nosso destino mais à frente. O que queremos hoje, pode já não fazer tanto sentido amanhã. Quem escolhemos para fazer parte do presente pode encaixar no nosso futuro (ou vice-versa). E questionamos muitas vezes o sentido que a nossa vida está a levar. Muitas vezes, partimos a louça, damos uma reviravolta e começamos tudo de novo. Não do zero, mas com o saber feito da experiência e com a capacidade de auto-análise e de percepção mais apurada. E a pergunta "o que queres ser quando fores grande?" continua lá. Só que, desta vez, feita por nós.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Se nos cruzamos com alguém que já não víamos há algum tempo e essa pessoa nos diz "Nem te conhecia! Estás muito bonita!", será um elogio?

terça-feira, 24 de março de 2009

"A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez."

Friedrich Nietzche

segunda-feira, 23 de março de 2009

Somos geniais a agarrarmo-nos a uma réstia de esperança e a fazer castelos no ar, a imaginar um golpe de sorte que poderá mudar tudo e a convencermo-nos que, se acreditarmos mesmo, se fizermos muita força, até pode ser que aconteca aquilo que tanto queremos.
Para ser absolutamente sincera, estou-me completamente nas tintas para o futebol. Para o jogo em si e para tudo o que o envolve. O jogo, em Portugal, é mau que se farta. O futebol português é arrastado, parado, sem construção de jogadas, com muitas faltas e insultos, paragens por tudo e por nada. O que o rodeia é pior: são vidas pouco transparentes, cheias de trafulhices, é ver quem é que engana o próximo e se acha mais esperto por isso, são envelopes e mais envelopes e processos que nunca dão em nada, são agressões constantes, são adeptos fantáticos, é gente tendenciosa a defender a sua equipa acima de tudo, treinadores de bancada, flash interviews sem jeito nenhum e conferências de imprensa em jeito de assunto de estado. Acima de tudo, é aquela coisa de que toda a gente parece perceber. (E muito.) De que toda a gente consegue falar, opinar, aconselhar, discutir, intervir.
O motor desta petição, o doutorado em futebol, Rui Santos, nem sequer é personagem com quem simpatize por aí além. A seriedade que quer impôr às coisas do futebol, as comparações mais ou menos cultas que faz a cada passo e o paralelismo com as coisas que relamente interessam ao mundo, irritam-me solenemente. Mas não são as minhas embirrações pessoais que práqui interessam.
Assinei porque, como em tudo na vida, acredito que as coisas se devem passar de forma justa. Os roubos que se passam mais ou menos ostensivamente no mundo do futebol, causados ou causadores, de actos de corrupção e de enriquecimentos relâmpago, devem ser efectivamente combatidos. E se as novas tecnologias puderem dar uma ajuda, acho absolutamente defensável.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Gostava de ter outro feito. De ser mais resignada e de achar que o que tenho e o que faço já é bom que chegue e não pensar em ir mais além. Gostava de acreditar que a vida é apenas isto e aceitar que a realidade é sempre diferente dos sonhos, que os sonhos nunca se concretizam todos nem por todo. Gostava de não assumir os sonhos dos outros como se dos meus se tratassem e não me importasse realmente em realizá-los (ou ajudar a realizá-los). Gostava até de não prestar tanta atenção aos outros e aos problemas dos outros. Gostava de ser capaz de deixar de lutar pelas coisas em acredito e de deixar de tentar mudar o meu mundo quando acho que as coisas não estão bem. Ser capaz de olhar para o lado, de ignorar o que está mal e de deixar andar. De acreditar que o tempo conserta tudo e o que não tem remédio remediado está. Ser capaz de assistir impávida e serena àquilo que eu acho erros, sem manifestar qualquer tipo de opinião. De conseguir dar até a outra face, de vez em quando.
Seria bem bom ser um bocadinho mais egoísta, mais resignada, menos impulsiva, menos emotiva.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Por mais que queira, não posso deixar de pensar que é pouco... Há gente que, de gente, tem muito pouco. E eu, por pensar assim, se calhar, também. Que se lixe!

terça-feira, 17 de março de 2009

"Enquanto fazes o paralelismo entre a tua vida e a vida do país, dou por mim a perder-me na descoberta das diferenças que o tempo provocou em ti. As físicas, vejo eu; as psicológicas, contas-me tu. Que vives em crise, à beira do colapso, mas que tens de ter calma e esperar por melhores dias que uma viragem agora, por mais pequena que fosse, deitaria tudo a perder. E tens mais a perder do que a ganhar com a mudança. Que o certo que tens, ainda que não te complete, dá-te aquela segurança da rotina diária e qualquer pessoa no teu lugar se sentiria feliz na tua vida. Que tens filhos e reponsabilidades e que não ganhas para te sustentar a ti quanto mais a eles. Que não és livre de fazer o que te dá na real gana e, se fosses, nem sabes o que farias. Que nem todos são como o que tens dentro dos lençóis, que, apesar do encanto de outros tempos já lá ir bem longe, consegue olhar para ti como a mãe e a mulher que envelheceu com ele e lhe proporcionou uma data de coisas na vida, e não como a quarentona, com rugas acumuladas pelas noites mal dormidas e queimadelas de tanto fazer jantares e almoços. Que esse outro, apesar das mensagens sôfregas a meio da manhã, que levam aos almoços clandestinos à beira-mar e a às tardes passadas no motel que estiver mais à mão, não é para sempre. Se os outros não foram, este não será certamente. Que não lho podes dizer para não quebrar o encanto e que assim vais andando até um dia. Que por mais que até te apetecesse mudar de vez, não podes, que a tua vida não está para isso. Que a tua vida não te permite isso."

quinta-feira, 12 de março de 2009

Qual paridade qual quê?

Paridade, igualdade, não discriminação em função do sexo, tudo tretas. Por mais que custe, por mais camufladas que as coisas estejam e que, aparentemente, já tenha havido uma grande alteração de mentalidades, a verdade, verdadinha é que pouco mudou e pouco mudará nas próximas décadas (séculos?). As mulheres não são tratadas como os homens, não têm as mesmas oportunidades. Têm mais obrigações e mais tarefas, isso sim.
Uma mulher (das modernas, das denominadas modernas) estudou o mesmo número de anos (ou mais), teve as mesmas notas (ou mais), trabalha as mesmas horas (ou mais), tem as mesmas responsabilidades (ou mais). Se quer investir na carreira, tem de pensar como é que vai fazer com o jantar, com a roupa que se acumula para lavar e passar, em que empregada vai contratar, no tempo que tem para fazer a lista do supermercado e para lá ir. Tem de organizar a casa e organizar-se a si. Se quer ter filhos e trabalha, tem de pensar muito bem em quando os vai ter, se é o momento certo ou se mais vale esperar, tem de pensar em como irá reagir a entidade patronal com a licença de maternidade e com as saídas e faltas que se seguirão nos primeiros anos de vida dos filhos. Tem de lidar com o envelhecimento como uma maldade da natureza que lhe atrofia as oportunidades e lhe nega a sedução, que as mulheres não são homens e os cabelos brancos não agradam e não são sinónimo de charme, nem de experiência, nem de estabilidade profissional. Uma mulher tem o relógio biológico sempre a trabalhar.
O homem, quer se goste, quer não, assume, mais ou menos descaradamente, uma posição bem superior, bem mais vantajosa. Qual é o homem que está disposto a sacrificar a carreira em prol de um filho? Qual é o homem que toma a iniciativa de arcar com as lides domésticas? Qual é o homem que não tem se acha capaz de seduzir uma miúda mais nova?
Não me venham cá falar em igualdade, porque a igualdade se vê nas pequenas coisas. E se a natureza não permite essa igualdade, não se fez nem faz por compensá-la. Porque as mentalidades demoram tempo a mudar e nem sempre dá jeito mudá-las.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Há dias assim

Há dias em que me canso de puxar pelos outros. Não me apetece ser aquilo que esperam de mim, porque as (minhas) forças também acabam e o espírito não é sempre o mesmo. Não estou para conselhos ponderados, nem análises profundas de vidas alheias que esperam que as impulsione com uma palavra acertada. Não estou para provocar risos nem sorrisos. Não me apetece fazer planos que preencham a minha vida e a dos outros, nem para iniciativas de qualquer género. Não me apetece ter ideias para dar, conversas para alimentar. Não me apetece socializar. Não sinto forças para discutir o sexo dos anjos nem os comportamentos dos humanos. Não me apetece dizer nem mal nem bem do que me rodeia. O que me apetecia mesmo era que me esquecessem por uns dias, deixar as obrigações e recuperar forças, ter um plano só meu traçado por mim ao sabor dos meus desejos e das minhas vontades. Apenas. Desejos e vontades e planos em que não tivesse de incluir ninguém e sobre os quais ninguém tivesse que opinar. Simplesmente porque não têm nada com isso. Hoje, não me apetecia ter laços de tipo algum. Nem responsabilidades e muito menos obrigações. Apetecia-me, sim, uma rede presa numa árvore ao sol, o silêncio e as construções dos meus castelos no ar. Só dos meus.