quarta-feira, 8 de abril de 2009



Juro pela minha saudinha que até tentei. Aliás, estou desde as 8h30m da manhã a tentar, mas como ainda não consegui, parece que estou condenada a não fazer as contra-alegações hoje. Já escrevi algumas linhas, mas a falta de convicção impera e nota-se. Se desse entrada do que escrevi hoje ía ter vergonha na certa quando recebesse o Acórdão. Por isso, mais vale aproveitar as férias judiciais e esperar por melhores dias, isto é, por dias mais produtivos, que este até não tem sido nada mau. Já deu para falar no messenger mais do que numa semana inteira, para actualizar a leitura dos blogs, fazer pesquisas para as férias, pagar contas e fazer marcações daquilo que é mesmo essencial à sobrevivência, como seja ir ao cabeleireiro ou à manicure. Sobretudo, já deu para decidir que o final do dia vai ser passado de molho, com cigarros e martini, a Elle e a Máxima por companhia. Só falta mesmo é que o tempo passe e possa ir fazer algo produtivo.
Imaginemos: eu vou ao médico, queixo-me disto ou daquilo e saio de lá com uma receita de um medicamento que irá curar o meu mal. Na ânsia de me curar rapidamente, corro à farmácia mais próxima e o farmacêutico diz-me que há um medicamento mais barato do que aquele que fará a mesma coisa e pergunta-me se não prefiro levar o mais barato. Fico em dúvida, com a consciência balançada entre o meter algum ao bolso e o barato sai caro.
Parece que tem sido isto que anda por aí a acontecer e que consegiu pôr em segundo plano, pelo menos por um dia o caso Freeport. (Valha-nos isso!)
Eu que não percebo nada dessas coisas, mas que ando aqui como os outros e até páro para pensar um bocadinho, questiono-me. Até percebo que os médicos não prescrevam os genéricos porque, com os ordenados fabulosos que têm, estão-se bem nas tintas para mais uns euros que o paciente possa gastar porque o importante é alimentar os laboratórios que lhes dão uma viagem à pala com mulher incluída, um DVD portátil ou uma esferográfica (ok, ok, também há os que acreditam no potencial do medicamento). Percebo também que o Governo, preocupado em zelar com a saúde financeira dos contribuintes, e da sua, pois claro, tenha todo o interesse em potenciar o consumo de genéricos e que ainda não tenha tido tempo para pensar num meio eficiente de o fazer. O que não percebo mesmo, é a preocupação, à partida com nenhum outro interesse que não seja baixar os custos das famílias com os medicamentos, da Associação Nacional de Farmácias. Mas lá chegarei.
Nas "histórias de amor", o começo, mais ou menos ardente, é sempre bonito. O final, quando não é o clássico "e foram felizes para sempre", pode ser uma grande chatice. Conheço os dois lados dessa chatice. O lado de quem levou com os pés e não engole e o lado de quem deu com os pés para se ver livre e não consegue.
Quem levou com os pés e não engole tem-se em tal conta que não consegue compreender o facto de o mundo, afinal, ter alguém que não lhe achou assim tanta piada. Vê o outro como um inimigo a abater, desdanha, inventa trinta por uma linha para lhe atingir o ego, faz-lhe a vida negra por todas as maneiras que tem ao seu alcance, tenta denegrir a imagem. Enquanto anda nisto, deixa de ter vida. Acredito mais que seja uma questão de ego do que propriamente uma obsessão com o outro. A menos que estejamos a falar de doentes mentais, (e nem toda a gente egocêntica é doente mental) não me parece francamente que seja mais do que uma questão de ego. As perguntas "como é que ele me pôde fazer isto?", "quem é que ele julga que é?" aliadas a uma imaginação maldosamente perversa, dão lugar a perseguições, riscos no carro, cartas e telefonemas anónimos, difamação, etc, etc. A pessoa está tão habituada a controlar as situações (ou a julgar que controla) e que o mundo que a rodeia a acha a melhor do mundo que gere mal as contrariedades, não sabe lidar com a rejeição e acha que vale tudo para se vingar do mal que o outro lhe fez. Não consegue discernir que o outro não lhe fez mal nenhum, que, enquanto pessoa, é dotado de livre arbítrio e que não está preso a ela só porque ela quer. Mostrou-lhe que há um mundo que lhe agrada mais e que não a inclui e que está no seu direito. Mostrou-lhe, enfim, que o mundo não gira em trono dela, satisfazendo os seus caprichos só porque sim, só porque ela está habituada a isso.
O lado de quem deu com os pés para se ver livre e não vê é bem mais complicado, acho eu. Querer seguir com a vida prá frente, enterrar definitivamente aqueles que não farão mais parte não significa forçosamente não lhe ter dado a devida importância nem considerá-los como um erro. Nem todos os que fazem parte de um passado são erros só porque não serão futuro. Por mais que façam para se mostrarem presentes, se fôr a bem, não conseguem provocar outro sentimento que não seja compaixão; se fôr a mal, tornam-se um parasita de quem a pessoa se tem de conseguir libertar dê lá por onde der, e conseguem apagar o que de bom um passado teve.
Como em tudo na vida, as posições extremas não são boas para ninguém. Nem para quem é causa nem para quem é consequência. Melhor, melhor, será mesmo, aguentar a dor, dar tempo ao tempo, concentrar-se na sua própria vida, esquecer e deixar esquecer.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

www.abreafelicidade.com

Há coisas mesmo, mas mesmo, muito bonitas!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Primeiro é preciso arranjar sobre o que escrever. É preciso ter assunto ou, pelo menos, fingir que se tem. Seja o sexo dos anjos, o feminino versus masculino, o tempo, a última colecção da Prada, o amor ou o desamor, os carros, as viagens, o trabalho ou a falta dele, as aventuras dos filhos. Vale tudo, desde que dê para tecer considerações, comentários, ilusões, desabafos ou o que quer que seja.
Depois, é preciso dar-lhe forma. É preciso perceber por que é que se quer escrever sobre determinado assunto, o que é que se quer transmitir com a escrita e o que se sente em relação a ele. É precisa muita inspiração e muita dedicação. É preciso muita paciência, muita análise, muita argumentação e contra-argumentação, muita imaginação para tocar onde ninguém tocou (ou, pelo menos ter essa ambição) e muita criatividade. É preciso originalidade. Sentido de humor, mais ou menos acentuado, é imprescindível.
Quando o cursor começa a piscar, é necessário construir bem as frases, utilizar os tempos verbais acertados, não dar erros ortográficos, e, no caso de utilizar outra língua, certificar-se mesmo que não há erros de tipo nenhum. Têm de pôr-se as vírgulas no sítio certo e os pontos e os parágrafos.
Depois, é preciso, ler, reler, tornar a ler. Ficar satisfeito com o resultado e clicar no "publicar mensagem".
É preciso muito para escrever. Por isso, é que, por aqui, não tem havido muitos posts.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Quando somos pequenos, é com frequência, e com alguma esperança de sermos engraçadinhos e de conseguir provocar algum colorido no mundo acinzentado dos adultos, que nos bombardeiam com a famosoa pergunta "O que queres ser quando fores grande?'". Vamo-nos tornando (ou tentando) grandes e vamos sendo, a maior parte das vezes, alguém bem distante daquele(a) em que achávamos que nos íamos tornar. Tornamo-nos alguém e essa pergunta deveria deixar de existir ou deveria deixar de fazer sentido. Só que a vida é feita de futuro, de quereres e de vontades e de circunstâncias, de caminhos cruzados e de opções constantes que traçam o nosso destino mais à frente. O que queremos hoje, pode já não fazer tanto sentido amanhã. Quem escolhemos para fazer parte do presente pode encaixar no nosso futuro (ou vice-versa). E questionamos muitas vezes o sentido que a nossa vida está a levar. Muitas vezes, partimos a louça, damos uma reviravolta e começamos tudo de novo. Não do zero, mas com o saber feito da experiência e com a capacidade de auto-análise e de percepção mais apurada. E a pergunta "o que queres ser quando fores grande?" continua lá. Só que, desta vez, feita por nós.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Se nos cruzamos com alguém que já não víamos há algum tempo e essa pessoa nos diz "Nem te conhecia! Estás muito bonita!", será um elogio?