quinta-feira, 2 de abril de 2009

Primeiro é preciso arranjar sobre o que escrever. É preciso ter assunto ou, pelo menos, fingir que se tem. Seja o sexo dos anjos, o feminino versus masculino, o tempo, a última colecção da Prada, o amor ou o desamor, os carros, as viagens, o trabalho ou a falta dele, as aventuras dos filhos. Vale tudo, desde que dê para tecer considerações, comentários, ilusões, desabafos ou o que quer que seja.
Depois, é preciso dar-lhe forma. É preciso perceber por que é que se quer escrever sobre determinado assunto, o que é que se quer transmitir com a escrita e o que se sente em relação a ele. É precisa muita inspiração e muita dedicação. É preciso muita paciência, muita análise, muita argumentação e contra-argumentação, muita imaginação para tocar onde ninguém tocou (ou, pelo menos ter essa ambição) e muita criatividade. É preciso originalidade. Sentido de humor, mais ou menos acentuado, é imprescindível.
Quando o cursor começa a piscar, é necessário construir bem as frases, utilizar os tempos verbais acertados, não dar erros ortográficos, e, no caso de utilizar outra língua, certificar-se mesmo que não há erros de tipo nenhum. Têm de pôr-se as vírgulas no sítio certo e os pontos e os parágrafos.
Depois, é preciso, ler, reler, tornar a ler. Ficar satisfeito com o resultado e clicar no "publicar mensagem".
É preciso muito para escrever. Por isso, é que, por aqui, não tem havido muitos posts.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Quando somos pequenos, é com frequência, e com alguma esperança de sermos engraçadinhos e de conseguir provocar algum colorido no mundo acinzentado dos adultos, que nos bombardeiam com a famosoa pergunta "O que queres ser quando fores grande?'". Vamo-nos tornando (ou tentando) grandes e vamos sendo, a maior parte das vezes, alguém bem distante daquele(a) em que achávamos que nos íamos tornar. Tornamo-nos alguém e essa pergunta deveria deixar de existir ou deveria deixar de fazer sentido. Só que a vida é feita de futuro, de quereres e de vontades e de circunstâncias, de caminhos cruzados e de opções constantes que traçam o nosso destino mais à frente. O que queremos hoje, pode já não fazer tanto sentido amanhã. Quem escolhemos para fazer parte do presente pode encaixar no nosso futuro (ou vice-versa). E questionamos muitas vezes o sentido que a nossa vida está a levar. Muitas vezes, partimos a louça, damos uma reviravolta e começamos tudo de novo. Não do zero, mas com o saber feito da experiência e com a capacidade de auto-análise e de percepção mais apurada. E a pergunta "o que queres ser quando fores grande?" continua lá. Só que, desta vez, feita por nós.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Se nos cruzamos com alguém que já não víamos há algum tempo e essa pessoa nos diz "Nem te conhecia! Estás muito bonita!", será um elogio?

terça-feira, 24 de março de 2009

"A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez."

Friedrich Nietzche

segunda-feira, 23 de março de 2009

Somos geniais a agarrarmo-nos a uma réstia de esperança e a fazer castelos no ar, a imaginar um golpe de sorte que poderá mudar tudo e a convencermo-nos que, se acreditarmos mesmo, se fizermos muita força, até pode ser que aconteca aquilo que tanto queremos.
Para ser absolutamente sincera, estou-me completamente nas tintas para o futebol. Para o jogo em si e para tudo o que o envolve. O jogo, em Portugal, é mau que se farta. O futebol português é arrastado, parado, sem construção de jogadas, com muitas faltas e insultos, paragens por tudo e por nada. O que o rodeia é pior: são vidas pouco transparentes, cheias de trafulhices, é ver quem é que engana o próximo e se acha mais esperto por isso, são envelopes e mais envelopes e processos que nunca dão em nada, são agressões constantes, são adeptos fantáticos, é gente tendenciosa a defender a sua equipa acima de tudo, treinadores de bancada, flash interviews sem jeito nenhum e conferências de imprensa em jeito de assunto de estado. Acima de tudo, é aquela coisa de que toda a gente parece perceber. (E muito.) De que toda a gente consegue falar, opinar, aconselhar, discutir, intervir.
O motor desta petição, o doutorado em futebol, Rui Santos, nem sequer é personagem com quem simpatize por aí além. A seriedade que quer impôr às coisas do futebol, as comparações mais ou menos cultas que faz a cada passo e o paralelismo com as coisas que relamente interessam ao mundo, irritam-me solenemente. Mas não são as minhas embirrações pessoais que práqui interessam.
Assinei porque, como em tudo na vida, acredito que as coisas se devem passar de forma justa. Os roubos que se passam mais ou menos ostensivamente no mundo do futebol, causados ou causadores, de actos de corrupção e de enriquecimentos relâmpago, devem ser efectivamente combatidos. E se as novas tecnologias puderem dar uma ajuda, acho absolutamente defensável.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Gostava de ter outro feito. De ser mais resignada e de achar que o que tenho e o que faço já é bom que chegue e não pensar em ir mais além. Gostava de acreditar que a vida é apenas isto e aceitar que a realidade é sempre diferente dos sonhos, que os sonhos nunca se concretizam todos nem por todo. Gostava de não assumir os sonhos dos outros como se dos meus se tratassem e não me importasse realmente em realizá-los (ou ajudar a realizá-los). Gostava até de não prestar tanta atenção aos outros e aos problemas dos outros. Gostava de ser capaz de deixar de lutar pelas coisas em acredito e de deixar de tentar mudar o meu mundo quando acho que as coisas não estão bem. Ser capaz de olhar para o lado, de ignorar o que está mal e de deixar andar. De acreditar que o tempo conserta tudo e o que não tem remédio remediado está. Ser capaz de assistir impávida e serena àquilo que eu acho erros, sem manifestar qualquer tipo de opinião. De conseguir dar até a outra face, de vez em quando.
Seria bem bom ser um bocadinho mais egoísta, mais resignada, menos impulsiva, menos emotiva.